Ouroboro
poesia
vida
não sei quando te perdi
não lembro quando o sol deixou de me fazer espirrar
não sei quando me acostumei com a luz do sol
não lembro quando foi que surgiu esse ódio que tenho por mim
não sei quando me apossou a distância do gosto
não lembro quando foi que perdi o gosto
a vida passa como um enigma tedioso
refratário me movo todo dia em direção às mesmas coisas
existo na vida de pessoas e com elas divido a ótica
sempre vi as pessoas na minha vida como testemunhas
e rezo para que uma alguma me guarde em uma qualquer coisa
a única razão o mistério da vocação
e um motivo para não ir antes de dançar toda a dança
fiquei dois anos sem falar mas te amei ao longo do último
você me devolveu a escrita e às minhas mãos devolveu o fluxo
e uma madrugada quase me devolve a mim
a um autor de um conto sobre deuses que criam a leitura
amanhece o céu como amanhece algo em mim
absolvição já não é busca servil
introdução quando muito o novo ideal
me compliquei ao me explicar para você
da carta de baralho sou o Louco
por ser também início e desatino
nos desatinamos, eu a letra e você você mesmo
a amizade que tenho de você rememora infância
seríamos amigos de carteiras coladas e bateríamos figurinhas
quando muito posso fazer algum desenho com sinapses e ideias
posso ser um ilustrador dos pensamentos, de todos eles
só não posso ser simples, aí já é demais
nunca fiz nada senão de intensa intenção
mas amanhece frio e silente
você caminha em algum etéreo que sua mente lhe guardava
não sei onde está
contudo sei onde estou
08/02/26
5:47
Andreas Chamorro


